DEPOIS DESSE NEGÓCIO DE CHICO MENDES, JÁ HÁ QUEM DIGA QUE A FALA MANSA DO MOURÃO TEM CAUSADO MAIS BARULHO NOS PORÕES DO PODER DO QUE OS GRITOS DE "LULA LIVRE".
E CONSIDERANDO DE ONDE VEM E COMO VEM, REALMENTE NÃO É PRA MENOS NÃO. ORA, COMO É QUE FICA A DEMOCRADURA?
CÁ PRA NÓS, MAS SE NÃO SEGURAREM ESSE GENERAL DIREITINHO, ELE PODE ACABAR HOSPITALIZANDO O GOVERNO TODO.
PENSE NUMA TRAGÉDIA! PENSE NUMA FACADA!!!
ADEMILSON JOSÉ
terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019
O PASSO A PASSO DA OPERAÇÃO LAVA LULA
A condenação do ex-presidente Lula é uma coisa marcante no combate à corrupção e tem seus méritos. Se é pra se combater à corrupção, nada mais normal que ele pague de alguma forma pelo que fez.
E nem precisamos nos referir obrigatoriamente aos casos concretos mais recentes, triplex, Atibaias e outras milongas mais. É, porque, se considerarmos que, como chefe, Lula deveria ter sido punido desde o mensalão que prendeu Zé Dirceu, vamos verificar que ele está no lucro.
Ocorre, porém, que, o que não dá pra entender de forma nenhuma, é essa verdadeira malhação de uma parte da justiça e do Ministério Público, e consequentemente também da grande mídia, em cima somente dele. Tenho a impressão que hoje a gente escuta mais falar em Lula do que quando ele era presidente.
Precisando lembrar desde já que, ao contrário do momento daquele mensalão, agora, tudo o que se refere a Lula tramitou muito rapidamente. Em pouco mais de seis meses, ele passou por Moro e dois tribunais. Isso é inédito. Tem processos com outros políticos no Supremo que dormem nas gavetas há anos.
E, além de o processo tramitar ligeiro, as penas são sempre severas demais. Lula virou, sozinho, uma espécie de sinônimo da corrupção brasileira em geral. E essa imagem parece que se estabeleceu por isso, porque, agora, quando se fala em corrupção, só se fala em Lula. É Lula pra cá, Lula pra lá, não deixam ele sair nem pra enterro, aumentam pena dele, Lula isso, Lula aquilo...
Ora, mais o combate não era à corrupção e aos corruptos de um modo geral, por que passou-se a se falar só em Lula? E Aécio? E Renan? E Jucá? E Temer? E...? Indo mais pra trás: e Sarney? E o próprio FHC da privataria que, na emenda da eleição, já trabalhava com o mensalão que o PT só continuou?
A Justiça e o MP parece que não estão entendendo mas essa grande avalanche pró Lula Livre que não é fruto única e exclusivamente da defesa de Lula não. Nos parece fruto sobretudo dessa coisa que já parece obsessão só contra Lula. O povo brasileiro quer Lula preso. Concorda com isso. Mas não está entendendo como é que, para os outros, a Justiça, o MP e a própria mídia não tem agido do mesmo jeito...? Tá estranho isso!
Cadê o combate à corrupção? Cadê a Lava Jato? Parou por quê? Quer dizer que prendendo e malhando apenas Lula as coisas se resolvem? Esquisito isso! É bom lembrar que, além de errado e injusto, isso pode trazer futuras consequências não somente pro país, como também para os próprios inimigos mais direto de Lula.
Pro país porque os outros corruptos vão continuar roubando, e, para os inimigos diretos do Lula porque, virando vítima, numa eventual reviravolta, ele acabará dando trabalho a muita gente. E não dizemos isso somente baseado no famoso "jeitinho brasileiro" não, mas nas próprias trapalhadas desse novo governo.
Se novo e forte ele já tomba muito, imagina quando tiver com dois ou três anos de mandato...? Quem lida com Política sabe que a "vitimologia" é uma das mais perigosas inimigas do embate eleitoral, e sobretudo assim quando se trata de um eleitorado como o nosso de pouca razão e muita emoção.
Então, já que a Lava Jato tá parecendo uma operação Lava Lula, pode acontecer de ele ser trazido de volta pela vitimologia que marca essa história.
E nem precisamos nos referir obrigatoriamente aos casos concretos mais recentes, triplex, Atibaias e outras milongas mais. É, porque, se considerarmos que, como chefe, Lula deveria ter sido punido desde o mensalão que prendeu Zé Dirceu, vamos verificar que ele está no lucro.
Ocorre, porém, que, o que não dá pra entender de forma nenhuma, é essa verdadeira malhação de uma parte da justiça e do Ministério Público, e consequentemente também da grande mídia, em cima somente dele. Tenho a impressão que hoje a gente escuta mais falar em Lula do que quando ele era presidente.
Precisando lembrar desde já que, ao contrário do momento daquele mensalão, agora, tudo o que se refere a Lula tramitou muito rapidamente. Em pouco mais de seis meses, ele passou por Moro e dois tribunais. Isso é inédito. Tem processos com outros políticos no Supremo que dormem nas gavetas há anos.
E, além de o processo tramitar ligeiro, as penas são sempre severas demais. Lula virou, sozinho, uma espécie de sinônimo da corrupção brasileira em geral. E essa imagem parece que se estabeleceu por isso, porque, agora, quando se fala em corrupção, só se fala em Lula. É Lula pra cá, Lula pra lá, não deixam ele sair nem pra enterro, aumentam pena dele, Lula isso, Lula aquilo...
Ora, mais o combate não era à corrupção e aos corruptos de um modo geral, por que passou-se a se falar só em Lula? E Aécio? E Renan? E Jucá? E Temer? E...? Indo mais pra trás: e Sarney? E o próprio FHC da privataria que, na emenda da eleição, já trabalhava com o mensalão que o PT só continuou?
A Justiça e o MP parece que não estão entendendo mas essa grande avalanche pró Lula Livre que não é fruto única e exclusivamente da defesa de Lula não. Nos parece fruto sobretudo dessa coisa que já parece obsessão só contra Lula. O povo brasileiro quer Lula preso. Concorda com isso. Mas não está entendendo como é que, para os outros, a Justiça, o MP e a própria mídia não tem agido do mesmo jeito...? Tá estranho isso!
Cadê o combate à corrupção? Cadê a Lava Jato? Parou por quê? Quer dizer que prendendo e malhando apenas Lula as coisas se resolvem? Esquisito isso! É bom lembrar que, além de errado e injusto, isso pode trazer futuras consequências não somente pro país, como também para os próprios inimigos mais direto de Lula.
Pro país porque os outros corruptos vão continuar roubando, e, para os inimigos diretos do Lula porque, virando vítima, numa eventual reviravolta, ele acabará dando trabalho a muita gente. E não dizemos isso somente baseado no famoso "jeitinho brasileiro" não, mas nas próprias trapalhadas desse novo governo.
Se novo e forte ele já tomba muito, imagina quando tiver com dois ou três anos de mandato...? Quem lida com Política sabe que a "vitimologia" é uma das mais perigosas inimigas do embate eleitoral, e sobretudo assim quando se trata de um eleitorado como o nosso de pouca razão e muita emoção.
Então, já que a Lava Jato tá parecendo uma operação Lava Lula, pode acontecer de ele ser trazido de volta pela vitimologia que marca essa história.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
O QUE MOVE E ANIMA A POLÍTICA É A TRAIÇÃO
O deputado estadual Tião Gomes protagonizou hoje na Assembleia Legislativa o que sempre dissemos por aqui e nos nossos comentários na Rádio Litoral: o que realmente anima e reanima a Política é mesmo a traição.
Parece que, sem traição, a Política não existiria, ou não teria sentido algum. Quando se trata de Política, a coisa mais complicada é se fazer previsões e prognósticos, sejam eles para que lado for.
Não são realmente à toa, as frases "em politica tudo é possível, inclusive nada" e "a Política é dinâmica". Pois é, tanto que, ao contrário de todas as previsões, o presidente da Assembléia para o segundo biênio não é Hervazio Bezerra.
Tudo porque, na última hora, perdido, ao invés de disputar a presidência como garantia, Tião Gomes recuou, se colocou pra vice e, pra seu lugar, indicou Adriano que aceitou e ganhou.
Onde estaria a contrariedade de Tião em decidir tratorar o seu colega do brejo, Hervazio Bezerra? Por quê? E, como se houvesse uma combinação, mais surpreendente ainda foi Adriano imediatamente aceitar.
Pŕa todo mundo, galerias, imprensa e até mesmo (muitos) deputados, uma surpresa. Mas, pela tranquilidade e agilidade, entre Tião e Galdino, parece que não.
O fato é que, como já vinha sendo tido e havido como eleito e até projetado como, na presidência da AL, forte nome para deputado federal em 2022, Hervazio terminou foi bruscamente golpeado por Tião.
E como os golpes mais cruéis são sempre em casa, de amigos e de aliados, é preciso ser muito polido e experiente pra não se sofrer muito, para aguentar o tranco.
Uma coisa é certa, entre ou se envolva com política quem quiser, porque, já que o alvo é o poder e o poder não tem lugar pra todos, alguma novidade haverá de produzir.
Qual? Àquela mesma, antiga e manjada, secular e inesperada "Até tu, Brutus?" Não!
Até tu, Tião?
Parece que, sem traição, a Política não existiria, ou não teria sentido algum. Quando se trata de Política, a coisa mais complicada é se fazer previsões e prognósticos, sejam eles para que lado for.
Não são realmente à toa, as frases "em politica tudo é possível, inclusive nada" e "a Política é dinâmica". Pois é, tanto que, ao contrário de todas as previsões, o presidente da Assembléia para o segundo biênio não é Hervazio Bezerra.
Tudo porque, na última hora, perdido, ao invés de disputar a presidência como garantia, Tião Gomes recuou, se colocou pra vice e, pra seu lugar, indicou Adriano que aceitou e ganhou.
Onde estaria a contrariedade de Tião em decidir tratorar o seu colega do brejo, Hervazio Bezerra? Por quê? E, como se houvesse uma combinação, mais surpreendente ainda foi Adriano imediatamente aceitar.
Pŕa todo mundo, galerias, imprensa e até mesmo (muitos) deputados, uma surpresa. Mas, pela tranquilidade e agilidade, entre Tião e Galdino, parece que não.
O fato é que, como já vinha sendo tido e havido como eleito e até projetado como, na presidência da AL, forte nome para deputado federal em 2022, Hervazio terminou foi bruscamente golpeado por Tião.
E como os golpes mais cruéis são sempre em casa, de amigos e de aliados, é preciso ser muito polido e experiente pra não se sofrer muito, para aguentar o tranco.
Uma coisa é certa, entre ou se envolva com política quem quiser, porque, já que o alvo é o poder e o poder não tem lugar pra todos, alguma novidade haverá de produzir.
Qual? Àquela mesma, antiga e manjada, secular e inesperada "Até tu, Brutus?" Não!
Até tu, Tião?
segunda-feira, 21 de janeiro de 2019
sábado, 19 de janeiro de 2019
ELE&ELA
Nem a Globo sabe viver sem governo nem Bolsonaro consegue governar fustigado por ela. Mais dia menos dia, eles se beijam. Feitos um para o outro. Além do mais, pelos porões do poder, o que já tem de bombeiro ao redor desse fogo, não tá no gibi!
O DIA DO QUEBRA FURO
Lula disputava o segundo turno presidencial com José Serra e, numa noite de dezembro de 2002, vinha à Paraíba também prestar apoio à candidatura de Roberto Paulino, que disputava o Governo do Estado com Cássio Cunha Lima. Segundo o PT, ele vinha, mas muito rápido, precisando
passar pra Natal, por isso, não teria condições para entrevistas, nem mesmo
para uma coletiva com a imprensa de João Pessoa.
Era
mentira. Havia uma trama envolvendo a Rede Paraíba de Televisão e o PT para que
ele desse entrevista somente a Cabo Branco. Descobrimos a trama e o editor do
Norte, Luiz Carlos, me dispensou de outras coisas porque eu teria de falar com
Lula.
Luiz Carlos
via por um lado apenas jornalístico, mas eu não. Eu queria mesmo era desmoralizar
o PT e a Cabo Branco e também entrevistar Lula, nem que, pra isso, precisasse trocar
tapa com a Polícia ou com a turma do PT e da TV.
Foi o dia todo de investigação, vai ali, liga pr' acolá. Uma tortura, sem almoço nem jantar. Estava indignado com a safadeza de botarem Lula só numa TV, deixando os outros veículos furados e a ver navios. Às 3 da tarde, já meio desesperado e graças a um funcionário do PT, soube que Lula acabara de chegar e que estava escondido no Hotel Litoral, na praia, reunido escondido com a cúpula local do PT.
Foi o dia todo de investigação, vai ali, liga pr' acolá. Uma tortura, sem almoço nem jantar. Estava indignado com a safadeza de botarem Lula só numa TV, deixando os outros veículos furados e a ver navios. Às 3 da tarde, já meio desesperado e graças a um funcionário do PT, soube que Lula acabara de chegar e que estava escondido no Hotel Litoral, na praia, reunido escondido com a cúpula local do PT.
Fui lá e, pelos carros, vi
que era verdade. Conheci o carro de Júlio Rafael. Tentei entrar, mas os seguranças
do hotel fizeram barreira. E Lula lá. No começo
da noite, eles arrancaram do hotel e tentei parar o carro que Lula estava para conversar.
Mas mandaram o motorista acelerar. Com o fotógrafo Marcus Antonius do lado,
mandei o motorista Anselmo (numa Elba do Norte) botar atrás.
Foi um pega aqui
pega acolá dos diabos. Por pouco não nos envolvemos em acidente na Beira Rio. Depois do
Lyceu Paraibano, ao invés de descer pra Lagoa, os carros da turma do PT
dobraram à direita e aí eu tive certeza que iam mesmo pra Cabo Branco e que o
plano era aquele mesmo, falar só pra TV. Dobramos atrás, mas quando chegamos na
frente da Cabo Branco, eles ja tinham entrado. De novo, no caso, era o jeito
esperar.
Anoiteceu.
E demoraram porque, além da entrevista exclusiva, tinha nova reunião, desta
feita de Lula com figuras do PMDB. Estava diante da última chance. De lá, Lula sairia pro aeroporto
porque o compromisso de Natal era um comício. Por voltas
das 20hs, Lula sai na porta principal da TV e, aí, foi quando, sem medo do
segurança, empurrei o portão e cometi invasão.
Lula caminhava pro carro e eu
colei na caminhada dele. E meu colega Marcus Antonius já foi disparando fotos. Como, mesmo
andando, Lula começou a responder minha primeira pergunta, o segurança e os
puxa saco do PT chegaram, mas pararam. Não tiveram mais como interromper.
Rapidamente,
entre outras coisas, perguntei a Lula se ele já tinha ideia sobre o valor do
salário mínimo que o Governo dele ia propor ao Congresso e ele respondeu e eu
anotei, mas nem lembro o quê.
O que me
lembro é que, no outro dia, quando o Bom Dia Paraíba da TV Cabo Branco começou,
as 7hs, O Norte
já estava nas bancas desde as 5 da matina com a minha curta, aventureira, mas
compensadora entrevista.
Nunca
gostei de sacanagem. De tipo algum. Muito menos daquela que, em conluio, PT e
Cabo Branco iam fazer com o resto da imprensa. Lutei pra encontrar Lula, é
verdade, mas minha luta maior mesmo nem era essa. Era mais quebrar o furo da
TV.
O que eu
não esperava, no entanto, é que, além das fotos de Lula sozinho, Marcus
Antonius também iria fazer de nós dois (essa aí) caminhando, como se fôssemos
amigos íntimos e como se fôssemos a lugar nenhum.
Ele terminou indo pra lá. E eu estou por aqui.
Ele terminou indo pra lá. E eu estou por aqui.
PINDAÍBA À BRASILEIRA
Por contraditório que possa parecer, nós éramos muito mais felizes na ditadura. É, porque, a grosso modo, no período da ditadura militar, nós estávamos todos juntos, unidos e de bem uns com os outros, lutando pela derrubada daquele regime nefasto, que torturava, matava e dava sumiço a muita gente que ousasse se opor a ele.
Alguns de nós eram mais radicais, mais corajosos, digamos assim, e se expunham mais. Eram mais ousados. Outros nem tanto e outros, menos ainda, do tipo que olhava de longe o circo pegar fogo. Maneira de ser. Idiosincrasias diferentes. Só.
No espirito, no entanto, éramos todos unidos, queríamos a mesma coisa, uma democracia que nos desse direito ao voto e à cidadania. Afinal de contas, isso não chegava e nem chega a ser nada demais. Não estávamos pedindo muito. Tá lá na própria Carta dos Direitos do Homem.
Pois bem, a duras penas, contando muitos presos, mortos e desaparecidos, um dia comemoramos a derrocada daquela coisa verde oliva repugnante e começamos, muitos mais unidos e felizes ainda, a contar nossos votos.
No começo, tudo caminhou bem. Aos trancos e barrancos, fomos nos ajustando e espalhando ideias. Espalhamos até demais. E foram tantos os partidos que nasceram que acabamos quebrados. Disso e também de uma roubalheira desmedida que os caciques desses partidos terminaram trazendo.
Mas o grande problema nem foi esse. É que, ao invés de sairmos pulando e procurando outros e outros caciques, nos limitamos a endeusar meia dúzia deles, meia dúzia que, mesmo errados, nos colocaram uns contra os outros em defesa cada um do seu cacique predileto.
Resultado, em defesa desses caciques que se lambuzaram em bandejas e mais bandejas de coxinhas e mortadelas, terminamos por nos desviar da luta maior que era a consolidação e a evolução da Democracia.
Divididos e cada vez mais agressivos, erramos mais: misturamos as nossas diferenças politico-partidárias com problemas pessoais, e o resultado é que hoje perdemos as contas de amigos e parentes atritados uns com os outros, numa pindaíba social que parece não ter fim.
É bem verdade que nem tudo está perdido. Não sejamos pessimistas. Mas que vai ser muito mais difícil sair disso do que de uma ditadura, isso vai...!
Alguns de nós eram mais radicais, mais corajosos, digamos assim, e se expunham mais. Eram mais ousados. Outros nem tanto e outros, menos ainda, do tipo que olhava de longe o circo pegar fogo. Maneira de ser. Idiosincrasias diferentes. Só.
No espirito, no entanto, éramos todos unidos, queríamos a mesma coisa, uma democracia que nos desse direito ao voto e à cidadania. Afinal de contas, isso não chegava e nem chega a ser nada demais. Não estávamos pedindo muito. Tá lá na própria Carta dos Direitos do Homem.
Pois bem, a duras penas, contando muitos presos, mortos e desaparecidos, um dia comemoramos a derrocada daquela coisa verde oliva repugnante e começamos, muitos mais unidos e felizes ainda, a contar nossos votos.
No começo, tudo caminhou bem. Aos trancos e barrancos, fomos nos ajustando e espalhando ideias. Espalhamos até demais. E foram tantos os partidos que nasceram que acabamos quebrados. Disso e também de uma roubalheira desmedida que os caciques desses partidos terminaram trazendo.
Mas o grande problema nem foi esse. É que, ao invés de sairmos pulando e procurando outros e outros caciques, nos limitamos a endeusar meia dúzia deles, meia dúzia que, mesmo errados, nos colocaram uns contra os outros em defesa cada um do seu cacique predileto.
Resultado, em defesa desses caciques que se lambuzaram em bandejas e mais bandejas de coxinhas e mortadelas, terminamos por nos desviar da luta maior que era a consolidação e a evolução da Democracia.
Divididos e cada vez mais agressivos, erramos mais: misturamos as nossas diferenças politico-partidárias com problemas pessoais, e o resultado é que hoje perdemos as contas de amigos e parentes atritados uns com os outros, numa pindaíba social que parece não ter fim.
É bem verdade que nem tudo está perdido. Não sejamos pessimistas. Mas que vai ser muito mais difícil sair disso do que de uma ditadura, isso vai...!
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